Nos últimos 30 anos, Angola registou três vagas de emigração. A primeira ocorreu em 1976, no início da guerra civil que se seguiu à proclamação da independência nacional (Barreto, 2014). A segunda começou em 1992, quando o conflito pós-eleitoral levou milhares de Angolanos a procurar refúgio e melhores condições de vida no estrangeiro. A terceira vaga teve início há cerca de seis anos, em resultado da profunda crise económica do país. Os resultados do inquérito Afrobarometer mostram que os Angolanos têm opiniões divergentes sobre a migração. Entretanto, a maioria dos Angolanos diz que já pensou em emigrar, na maioria das vezes para obter emprego e um melhor nível de vida.
Principais conclusões:
- Os Angolanos estão divididos quanto à questão da livre circulação transfronteiriça dentro da região austral: 41% dizem que os cidadãos da África Austral devem ser livres de atravessar as fronteiras para trabalhar e viver, enquanto 38% acreditam que o governo deve restringir a circulação de pessoas e bens.
- Os Angolanos também estão divididos quanto ao impacto dos imigrantes na sua economia: Quatro em cada 10 (40%) dizem que eles contribuem positivamente, enquanto uma proporção igual (40%) acredita que eles têm um impacto negativo.
- Sete em cada 10 cidadãos (71%) não manifestam reservas quanto ao facto de viverem ao lado de imigrantes ou trabalhadores estrangeiros.
- Do mesmo modo, cerca de dois terços (65%) manifestam atitudes tolerantes em relação aos refugiados.
- Mesmo assim, uma maioria (56%) dos Angolanos considera que o governo deveria reduzir o número de candidatos a emprego estrangeiros que permite entrar no país ou eliminar completamente essa imigração.
- A maioria (57%) dos Angolanos afirma ter considerado pelo menos "um pouco" a possibilidade de sair do país, incluindo 38% que pensaram "muito" nessa possibilidade.
- Entre as pessoas que consideraram a possibilidade de sair do país, as razões mais frequentemente citadas são de ordem económica: encontrar oportunidades de trabalho (37%) e fugir as dificuldades económicas (34%).
- Os destinos mais populares entre os potenciais emigrantes são a Europa (39%), a América do Norte (21%) e a África do Sul (10%).